Segundo o Global E-Waste Monitor 2024, o mundo gerou 62 milhões de toneladas de lixo eletrônico apenas no último ano, um aumento de 82% em relação a uma década atrás. Baterias de íon-lítio estão entre os resíduos de crescimento mais acelerado, impulsionadas por celulares, notebooks, equipamentos industriais e a explosão dos veículos elétricos.

Mas, menos de 1% das baterias de lítio no mundo são recicladas adequadamente (IEA, Global EV Outlook, 2024).

Isso significa que um recurso essencial – lítio, níquel, cobalto e grafite – está sendo descartado no lixo comum. E, pior ainda, está acumulando riscos de incêndios e contaminação, por exemplo.
Para se ter uma ideia Environmental Protection Agency (EPA) registrou aumento de 40% nos incêndios em aterros sanitários causados por baterias descartadas indevidamente. São acionamentos espontâneos, explosões e contaminação de solo e água por metais pesados.

Ao mesmo tempo, a Agência Internacional de Energia alerta:

“A demanda por minerais críticos deve crescer entre 2 e 4 vezes até 2030”

Ou seja: estamos extraindo cada vez mais recursos que estamos deixando de reaproveitar.

E o Brasil?

O PNUMA aponta que o Brasil recicla menos de 3% de todo o lixo eletrônico que produz, apesar de a Política Nacional de Resíduos Sólidos já prever logística reversa há mais de 10 anos. A COP30, realizada em Belém em 2025, colocou luz sobre a urgência de políticas mais rígidas para baterias — especialmente diante da expansão da mobilidade elétrica e das energias renováveis.

Estamos diante de uma equação simples e perigosa:

Mais baterias → mais resíduos → pouca reciclagem → dependência maior de mineração → riscos ambientais crescentes.

E onde entra a tecnologia?
Se a crise foi criada por avanço tecnológico acelerado, é também por meio da tecnologia que encontraremos soluções.

O primeiro passo é entender o que realmente existe dentro de uma bateria e por que esses materiais são tão valiosos quanto frágeis.

No próximo capítulo da série “Além da Carga”, vamos voltar ao começo e responder a pergunta central:

O que existe dentro de uma bateria e por que isso determina o futuro da transição energética

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